No horário gratuito na televisão vemos as muitas candidaturas falando em nome de muitos partidos. Sou do partido tal, dizem, mas nunca falam qual a base política e ideológica do seu partido. Se direita, esquerda, centro ou coisa assim.
Partidos hoje não refletem nada da vida política nacional, na verdade. Pertencer a este ou aquele partido dá na mesma para o eleitor e até mesmo para o tal candidato. Não era assim no Brasil de algum tempo atrás e não é assim em quase todo o mundo. Fiquemos antes no caso brasileiro.
Se tinha poucos partidos: UDN, ou União Democrática Nacional, conservador e mais a ‘direita. PSD ou Partido da Social Democracia, também da direita. E ainda o PTB, Partido Trabalhista Brasileiro, criado por Getúlio Vargas para enfrentar os dois partidos citados da direita.
A eleição se fazia em torno desses partidos. Quem votava em um nunca, o terno e esse, votaria no outro, A pessoa que era udenista ou pessedebista ficava no seu quadrado. Tinha lugar aqui no estado que o lado político era também o de sua amizade na localidade. Os udenistas de um lado e os pessedebistas do outro.
Chegam os militares no poder. Mantem ainda os antigos partidos, mas, ao longo dos anos, perceberam que os partidários daquelas siglas se identificavam mais com seus membros antigos do que os novos donos do poder. E mais: aqueles partidos foram elegendo parlamentares que também não falavam a mesma língua política do regime militar.
A ditadura resolve na canetada acabar com os partidos tradicionais da política nacional e criam a Arena e MDB. Arena, do lado deles, chamada Aliança Renovadora Nacional. MDB ou Movimento Democrático Brasileiro. Ao longo dos anos, o MDB, partido mais de “oposição”, estava levando vantagens nas eleições legislativas. A Arena ficando para trás.
Frente a situação, o regime resolver abrir as porteiras para se criar quantos partidos se quisesse para enfraquecer o MDB. Virou a confusão que vemos hoje. Se tem mais de tres dezenas de paridos em condições de disputar eleições. É o que vemos no horário gratuito com tantas candidaturas que não tem rastro nenhum numa verdadeira vida partidária.
Passemos um pouco pelo exterior e fiquemos, como a coluna já fez antes, em dois casos mais conhecidos em politica partidária: EUA e Inglaterra. Nos EUA se tem os partidos Democrata e Republicano. Um mais de centro esquerda e o outro da centro direita. Na Inglaterra se tem os partidos Trabalhista e o Conservador, os nomes já dizem suas tendências também.
Numa vida política nacional, aqui ou fora, são esses dois caminhos: um querendo algum benefício social maior ou a tal centro esquerda e o outro acreditando mais que o capital gera emprego e não se precisa dar benefícios sociais. Este partido ou lado politico não incentiva esse rumo, mas não tenta derrubar o que o social democrata faz na área social.
Você acredita que isso seria possível hoje no Brasil? Que a classe política, com base no Congresso, iria aprovar lei que matasse esse tanto de paridos para se ficar com três ou quatros partido somente? Nem que a vaca tussa, como se dizia tempos atrás.
Alfredo da Mota Menezes é analista político
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