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Cada bisneto traz um mundo diferente

Cada bisneto traz um mundo diferente

Na mesma família, os bisnetos podem crescer em ambientes diversos, estudar em escolas diferentes, falar outros idiomas, viajar mais cedo e usar tecnologias impensáveis para seus avós. 

Ainda assim, quando se aproximam, alguma coisa os une ao tronco antigo de onde vieram. 

Cada bisneto traz um mundo diferente dentro de si, mas também carrega um traço invisível da família. 

É bonito observar como o novo e o antigo se encontram sem briga, apenas convivendo. 

Tenho essa sensação quando o bisneto nascido e criado Além-Atlântico vem passar as férias em Cuiabá. 

Ele passa muito tempo distante, mas, quando se encontra com os primos, é como se a separação nunca tivesse existido. 

Logo começam as brincadeiras comuns a todas as crianças, e o idioma da infância os aproxima com naturalidade. 

Cada criança traz consigo o seu mundo, e é nele que vai aprendendo a viver. 

Isso não impede que se adapte à crianças de outras partes do universo, com outras culturas, costumes e línguas diferentes. 

E isso me encanta nelas!. 

São muito diferentes dos adultos, que, às vezes, mesmo dentro de um mesmo país, encontram dificuldades de relacionamento. 

Os traços de família que netos e bisnetos carregam os unem de maneira forte e misteriosa.

Sem isso, seriam apenas ilustres desconhecidos ligados por traços genéticos. 

Aliás, segundo a história, a humanidade veio de um mesmo tronco. 

As guerras, os interesses e as vaidades foram separando os homens, o que não deveria acontecer dentro das famílias.

Embora os bisnetos sejam de mundos diferentes, trazem, invisíveis dentro de si, sinais de uma mesma origem. 

E isso, na maioria das vezes, os mantém unidos. 

Família significa união, embora, como toda a regra, também tenha suas exceções. 

Assim como é lindo ver um bisneto brincando com outro bisneto, é doloroso imaginar um irmão morrendo sem falar com o outro.

Esse é um dos momentos mais tristes da instituição familiar.

São desastres silenciosos, rupturas dolorosas de troncos antigos que deveriam continuar florescendo. 

Por isso, quando vejo meus bisnetos brincando juntos, vindos de mundos diferentes, sinto que a família ainda cumpre sua missão mais bonita. 

A de lembrar que ninguém nasce sozinho. 

Todos viemos de alguém. 

E, enquanto houver uma criança chamando outra para brincar, ainda haverá esperança de união no coração da família.

Gabriel Novis Neves é médico, ex-reitor da UFMT e ex-secretário de Estado

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