@crsf

Ecologia Integral na visão dos Papas Francisco e Leão XIV

Ecologia Integral na visão dos Papas Francisco e Leão XIV

“Num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das mudanças climáticas, do desmatamento e da poluição, cuidar da criação torna-se uma questão de fé e de humanidade. Em várias partes do mundo, é evidente que a nossa terra está caindo na ruína.

Por todo o lado, a injustiça, a violação do direito internacional e dos direitos dos povos, a desigualdade e a ganância provocam o desmatamento, a poluição, a perda de biodiversidade”. Papa Leão XIV em sua mensagem para o 10° Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação de 2025, Vatican News, 02/07/2025.

Estamos em pleno período, entre 01 de setembro e 04 de outubro, quando as Igrejas Cristãs — Católica Romana, Ortodoxa e Evangélicas — celebram o Tempo da Criação, cujo tema deste ano de 2026 é ÁGUA VIVA, que nos remete à grave crise hídrica que se abate sobre o planeta, inclusive afetando bilhões de pessoas no planeta e dezenas de milhões no Brasil, a imensa maioria famílias pobres, excluídas e oprimidas.

No mundo em torno de 2,1 bilhões de pessoas não tem acesso `a água potável e 3,4 bilhões não tem saneamento básico, esta situação é responsável por mais de 1,4 milhões de pessoas, a imensa maioria de pobres e excluidos.

No Brasil a situação também e muito grave. Apesar de sermos a 10ª maior economia do planeta, ainda existem em nosso país mais de 34 milhões de pessoas sem acesso `a água potável e mais de 90 milhões sem esgotamento sanitário. Esta situação é diretamente responsável por mais de 12 mil mortes anuais, além de mais de 340 mil internações, também a imensa maioria população pobre e excluida.

Neste processo de reflexão e ação, nada melhor do que voltarmos às exortações do Papa Francisco, seguidas em grande parte pelo Papa Leão XIV, tanto na defesa da ecologia integral quanto dos pobres e oprimidos, insistindo ambos na necessidade de mudarmos radicalmente os paradigmas que alimentam “esta economia que mata”, a Economia da Morte, por outros paradigmas que embasem a Economia da Vida.

Além de vários momentos  significativos que constam do CALENDÁRIO ECOLÓGICO nesses 34 dias do TEMPO DA CRIAÇÃO, seria ótimo se todas as Igrejas, a começar pela Igreja Católica, de quem o Papa Francisco foi seu pastor durante mais de uma década, pudessem refletir e agir tanto em relação a esses momentos ecológicos quando procedermos a uma re-leitura da Encíclica Laudato Si, bem como tantas outras exortações feitas pelo Papa Francisco em seus pronunciamentos, outras Encíclicas e Exortações Apostólicas.

Este é o sentido e o significado desta minha minha mensagem que seguirá por outros neste Tempo da Criação, retomando alguns aspectos de tantas exortações e recomendações do Papa Francisco `a sua Igreja, que, mesmo já tendo transcorrido mais de 11 anos da publicação da Encíclica Laudado Si, ainda continuam desconhecidas e pouco seguidas por boa parte, talvez a maior parte de nossas Arquidioceses, Dioceses, Prelazias, Paróquias e Comunidades Eclesiais, relembrando que para a Igreja Católica OMISSÃO É PECADO, e neste caso da ecologia integral, PECADO ECOLÓGICO.

Conceito de pecado ecológico

Este conceito é importante para compreendermos a conversão ecológica e a cidadania ecológica, bem como propostas como a Economia de Francisco e Clara, o Pacto Global pela Educação, a cultura da paz e a civilização do amor.

O portal A12 – Arquidiocese de Aparecida pontuou que “No Sínodo da Amazônia, em 2019, surgiu um tema sobre a inclusão de um novo conceito no Catecismo, o ‘pecado ecológico’”.“Propomos definir o pecado ecológico como uma ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade e o meio ambiente. É um pecado contra as gerações futuras...” (Documento Final do Sínodo da Amazônia).

Se o pecado ecológico vai ou não ser incluso no Catecismo isso ainda não sabemos, mas a questão levanta muitas reflexões. O missionário redentorista padre Antonio Fidalgo, acredita que a insistência e a urgência de identificar esse novo conceito tem um peso para a consciência humana, que parece não ter acordado para a situação real das riquezas naturais.“Requer colocar a questão dentro do apelo à conversão integral para ouvir os gritos da terra, os gritos dos pobres e as pessoas que sangram por todo o mundo com esta ferida ecocida”, assinala. Ref Uma compreensão sobre o “pecado ecológico” artigo de Elisangela Cavalheiro, 30/01/2024.

Vamos aproveitar o Tempo da Criação para aprofundarmos um pouco mais nessas questões que, direta ou indiretamente, dizem respeito a nossa caminhada de uma Igreja Sinodal, Samaritana e Profética que faz opção pela defesa da vida, todos os tipos de vida, pelos pobres.

Origens da crise socioambiental

“A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doenças que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos.. Por isso entre os pobres mais  abandonados e maltratados , conta-se a nossa terra  oprimida e devastada, que está “ gemendo como em dores do parto”. LS 2

“Quando os seres humanos destroem a biodiversidade na criação de Deus, quando os seres humanos comprometem a integriada da terra e contribuem para a mudança climática, desnudando a terra de suas florestas  naturais ou  destruindo suas zonas úmidas, quando os seres humanos contaminam as águas e o solo, o ar tudo isso é pecado. Porque um crime contra a natureeza é um crime contra nós  e um pecado contra Deus” LS 8

“O urgente desafio de proteger a nossa Casa Comum inclui a preocupação de unir toda a familia humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral”. “Os jovens exigem de nós uma mudança, interrogam-se como se pode preteder construir um futuro melhor, sem pensar na crise do meio ambiente e nos sofrimentos dos excluidos: LS 13 

Esta é também a mesma indagação que fazemos a milhares de candidatos e candidatas a parlamentares estaduais, federais, governadores e presidência da República, que praticamente omitem propostas relacionadas aos graves desafios socioambientais e políticas públicas para enfrentar tais desafios, nas eleições  gerais de 2026.

Poluição e mudanças climáticas

“A terra, nossa Casa Comum, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo”. (LS, 21)

“Ainda não se consseguiu adotar um modelo circular de produção que assegure recursos para todos e para as gerações futuras e que exige limitar, o mais possível, o uso dos recursos não renováveis, moderando o seu consumo, maximizando a eficiência no seu aproveitamento, reutilziando e reciclando-os” LS 22

O clima como bem comum

“O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos...” (LS, 23)

O clima é um bem comum, um bem de todos e para todos. Em nível global é um sistema complexo que  tem a ver com muitaca ds condições essenciais para a vida humana. Há um consenso científico, muito consistente, indicando que estamos perante um preocupante aquecimento do sistema climático” LS 23

“A humanidade e chamada a tomar consciência da necessidade de mudança de estilo de vida, de produção e de consumo, para combater esse aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam” LS 23

“Isto é particularmente agravado pelo modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo de combustíveis fósseis, o qual está no centro do sistema energético mundial. E inclui, também, a prática crescente de mudar  a utilização do solo , principalmente pelo desmatamento para finalidade agriola” (agropecuaria e mineração). LS24

“A perda das florestas piora a situação, pois essas ajudam a mitigar as mudanças climáticas” LS 24 “As mudanças climáticas são um problema global, com graves  implicações ambientais, sociais, econicas, distribuitivas e políticas, constituindo atualmente um dos principais desafios paa a humanidade” LS 25

A questão da água

“A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância...” (LS, 28)

“ Outros indicadores  da situação atual  têm a ver com o esgotamento dos recursos naturais. É bem conhecida a impossibilidade de sustentar o nivel atual de consumo dos países  mais desenvolvidos e dos setores nais ricos da sociedade,onde o hábito de desperdiçar e jogar fora atinge níveis absurdos, já ultrapassaram certos limites máximos de exploração do planeta, sem termos resolvido o problema da pobreza. A água potável e limpa constitui uma questão de primordial importância, porque é imprescindível para a vida humana e para sustentar os ecossistemas terrestres e aquáticos. Grande cidades que dependem de importantes reservas hídricas, sofrem períodos de carância do recurso que nos momentos criticos, nem sempre se administra com uma gestão adequada e com imparcialidade” LS 28

“Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que diariamente ceifa muitas vidas. Entre os pobres são frequentes as doenças relacionadas com a qualidade da água, incluindo as causadas por micro-organismos e substâncias químicas” LS 29

“Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugare cresce a tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-o  uma mercadoria sujeita `as leis de mercado” LS 30

“Uma maior escassez de água provocará o aumento do custo dos alimentos e de vários produtos que dependem de seus uso” LS 31

Considerações finais

A leitura dessas exortações, se refletida criticamente, poderá servir de base para análise da realidade e construção de saídas através de políticas públicas.Como cidadãos, devemos exigir de nossos governantes, em todos os níveis e poderes, e dos Organismos de Controle (MPF, MPE, Defensoria e Tribunais de Contas), um compromisso maior para que a Constituição e todo o ordenamento jurídico ambiental sejam cumpridos.

De forma semelhante, é fundamental o desenvolvimento de campanhas públicas, utilizando-se de todos os meios e veículos disponíveis, para despertar na população a consciência de que precisamos cuidar melhor do planeta terra, a partir de nossos espaço imediato; nossas moradias, nosssos bairros, comunidade, municípios, estados e o país como um todo.

A omissão diante dos desafios, pecados ecológicos e crimes ambientais contribui para o agravamento da crise socioambiental e terá grandes impactos para as atuais e, principalmente, para as futuras gerações.

Este é o sentido quando o Papa Francisco diz que “hoje não podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social... para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres”.

Os desafios da ecologia integral devem caminhar lado a lado com a Justiça Social, Justiça Climática, Justiça Econômica, Justiça Intergeracional, Justiça de Gênero e gestão pública transparente, eficiente, sustentável, inclusiva e ética.

Cuiabá, 08 de Setembro de 2026.

Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro-Oeste.

Email: profjuacy@yahoo.com.br – Instagram: @profjuacy – WhatsApp: 65 9 9272 0053

Faça um comentário // Expresse sua opinião...

Veja os últimos Comentários

Veja também

Wellington Fagundes apresenta plano de governo com foco em educação pública e redução de desigualdades em Mato Grosso

Wellington Fagundes apresenta plano de governo com...

Dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep) promoveram encontro dominical na capital mato-grossense com pré...

BR-163 em Mato Grosso: de rodovia perigosa a via de desenvolvimento econômico

BR-163 em Mato Grosso: de rodovia perigosa a via d...

Durante deslocamento entre Nova Mutum e Lucas do Rio Verde neste domingo (13), o governador Otaviano Pivetta fez parada na BR-163 para ressaltar os...

Wellington propõe lei estadual para impedir nomeação de agressores de mulheres no serviço público de MT

Wellington propõe lei estadual para impedir nomeaç...

Durante visitação em Sinop neste domingo (13), o candidato Wellington Fagundes apresentou proposta para transformar em legislação estadual uma inic...