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Os objetivos essenciais

Os objetivos essenciais

Em nome do imediatismo, temos deixado de lado os verdadeiros tesouros da alma: as virtudes, o caráter, o saber. Trocamos o que é eterno pelo que é efêmero. E nessa troca, muitas vezes silenciosa, abrimos espaço para uma vida sem propósito, repleta de frustrações.

Vivemos conforme uma escala de valores invertida. Corremos atrás de status, posses, aparências, como se isso fosse preencher os vazios da alma. Mas ninguém está imune às perdas inevitáveis: um emprego que se vai, a perda de prestígio, o carro que enferruja, a casa que se desfaz, o objeto de desejo que perde o valor assim que é conquistado. E, então, nos damos conta: aquilo que parecia essencial era apenas passageiro.

Vivemos acumulando coisas que logo envelhecem, que perdem o brilho e caem no esquecimento. E, sem perceber, ficamos órfãos do essencial: o sentido de estar vivos. A vida, sábia como é, vira páginas a cada minuto. E, ao invés de reler o que já passou, é preciso escrever com mais consciência o que está por vir.

Cada ser tem seu tempo, seu jeito, seu ritmo. Ninguém é melhor ou pior – somos apenas diferentes, cada um dentro do seu próprio grau de evolução. Julgar menos, compreender mais. Crescer não é superar os outros, é superar a si mesmo, todos os dias.

A tradição que carregamos – os gestos, as palavras, os silêncios – molda a nossa identidade. Somos marcas vivas do que aprendemos, do que sonhamos e do que sentimos. E, ao longo do caminho, vamos sendo apresentados ao mundo com uma "cara", com uma "marca" que nos identifica, mesmo que ela tenha sido formada por experiências momentâneas.

No fundo, somos todos sobreviventes dos nossos próprios riscos. E, nessa travessia, buscamos partilhar as conquistas, os afetos, os aprendizados. Mas há quem aposte apenas nos prazeres individuais, esquecendo-se que a vida pulsa com uma energia própria e misteriosa – uma energia que cobra, ensina e transforma.

O passado, ainda que não possa ser refeito, é nosso espelho. Ele registra cada passo, cada escolha. Mas o que realmente molda o futuro são os pequenos detalhes, aqueles que, por distração, deixamos passar. Na lei de causa e efeito, esses detalhes podem ter peso de montanhas.

Saber viver é saber cair e levantar. É aprender a crescer com as dores, e não apesar delas. É não inverter os valores da vida. Porque, no fim das contas, o que nos salva não é o que temos – é o que somos.

Econ. Wilson Carlos Soares Fuáh – É Especialista em Recursos Humanos e Relações Sociais e Políticas

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