Polícia Civil cumpre mandados contra núcleo criminoso com atuação entre Mato Grosso e Rio de Janeiro
A Polícia Civil deflagrou, na manhã de terça-feira, a Operação Dark Route para executar ordens judiciais contra integrantes de uma organização criminosa que atua no eixo entre Mato Grosso e Rio de Janeiro.
A ação resultou no cumprimento de nove mandados de prisão preventiva, três mandados de busca e apreensão e cinco sequestros de veículos de luxo. As ordens foram decretadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias, em Cuiabá, com base em investigações da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco).
O grupo investigado atua na proteção de foragidos, manutenção de soldados armados, movimentação de recursos financeiros, suporte logístico e ocultação de patrimônio. Os mandados foram cumpridos em Várzea Grande e no Rio de Janeiro.
A investigação revelou que a estrutura criminosa utiliza o Rio de Janeiro não apenas como esconderijo, mas como uma verdadeira base de operações. O Estado fluminense funciona como centro de proteção, comando e articulação, abrigando foragidos da Justiça de Mato Grosso e elementos denominados "soldados armados" responsáveis pelo suporte à liderança.
Integrantes do grupo estavam instalados no Complexo do Alemão, que servia como ponto estratégico de articulação com as atividades desenvolvidas em Mato Grosso.

Arsenalamento e capacidade bélica do grupo
As investigações comprovaram que a organização possui significativa capacidade bélica, com membros portando e disparando fuzis de uso militar restrito. Foram identificados registros relacionados à guarda, transporte e remanejamento de armas e munições.
Documentação obtida durante a investigação mostra soldados armados operando em territórios dominados pela facção, manejando fuzis com referências à organização criminosa e ao apelido da liderança investigada.
Captura de investigado antes da operação
Antes da deflagração da Dark Route, um dos principais investigados foi detido no dia 20 de agosto. O suspeito, apontado como auxiliar da liderança, foi localizado e preso pela Polícia Civil do Rio de Janeiro após deixar o Complexo do Alemão para frequentar uma academia.
Durante a fase ostensiva da operação, dois outros investigados foram capturados em Várzea Grande, onde também foi executada medida de busca e apreensão contra outro membro da organização.
Liderança continua foragida
O principal alvo da investigação permanece foragido da Justiça de Mato Grosso e homiziado no Rio de Janeiro, não sendo localizado nesta fase operacional. Contudo, em razão dos novos fatos investigados, ele passa a contar com um mandado de prisão preventiva adicional em aberto.
Os elementos coligidos demonstram que a fuga para o Rio de Janeiro não interrompeu as atividades criminosas da liderança. O investigado mantém utilização de áreas dominadas pela facção como ponto de proteção e articulação, preservando contato com operadores financeiros, soldados armados, familiares e pessoas interpostas.
Frota de veículos de luxo sequestrada
A investigação identificou uma frota de automóveis de luxo circulando entre membros do grupo no eixo Rio de Janeiro–Mato Grosso. Alguns veículos estavam formalmente registrados em nomes de terceiros, mas eram utilizados por pessoas próximas à liderança.
Os automóveis funcionavam como instrumentos de deslocamento, suporte logístico, demonstração de poder econômico e ocultação patrimonial.
A Justiça determinou o sequestro de cinco veículos: um Porsche Boxster GTS, dois automóveis BMW, um Audi A3 e um Volkswagen T-Cross, com valor conjunto estimado em aproximadamente R$ 1,5 milhão.
O sequestro integra a estratégia de descapitalização do grupo, visando remover do cenário criminoso não apenas os integrantes, mas também os bens utilizados para manutenção de sua logística e demonstração de poderio financeiro.
Objetivos e resultados da operação
A Operação Dark Route busca desarticular o núcleo criminoso atuando simultaneamente nas duas extremidades da estrutura: localizando e prendendo foragidos que utilizam o Rio de Janeiro como base de proteção, ao mesmo tempo em que atinge os braços financeiros, operacionais e patrimoniais que sustentam as operações em Mato Grosso.
Com as prisões já realizadas, os mandados ainda em aberto e o sequestro da frota de veículos de luxo, a operação reafirma que o refúgio em territórios dominados por facções criminosas não impede a ação estatal nem protege o patrimônio e a estrutura de apoio construída pelos investigados.
Significado do nome da operação
O nome Dark Route faz alusão ao corredor criminoso estabelecido no eixo Mato Grosso–Rio de Janeiro, utilizado para circulação de integrantes, movimentação de recursos financeiros, suporte logístico e operação da frota de veículos de luxo. O corredor conecta criminosos homiziados no territorio fluminense aos seus braços operacionais, financeiros e patrimoniais baseados em Mato Grosso.
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