Prefeita articula 18 secretarias para criar estratégias de prevenção e resiliência climática no município.
Várzea Grande iniciou a formulação de seu Plano Municipal de Adaptação Climática, documento estratégico destinado a orientar ações municipais para minimizar os efeitos das mudanças climáticas, prevenir desastres como alagamentos e incêndios florestais, além de potencializar o acesso a investimentos em obras e projetos de sustentabilidade ambiental.
O processo de construção do plano começou na segunda-feira (3), em uma reunião coordenada pela prefeita Flávia Moretti que reuniu integrantes de 18 secretarias municipais. O objetivo consiste em articular as diferentes áreas da administração pública para reconhecer as principais vulnerabilidades urbanas e estabelecer medidas preventivas e de ajuste frente à intensificação de fenômenos climáticos extremos.
O grupo congregou profissionais das secretarias de Defesa Civil, Meio Ambiente, Saúde, Assistência Social, Serviços Públicos, Obras, Educação, Desenvolvimento Urbano, Planejamento, Governo, Gestão Fazendária, Controladoria, Procuradoria, Desenvolvimento Econômico, Defesa Social, Assuntos Estratégicos, Comunicação e do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
Na apresentação da iniciativa, Ricardo Amorim, secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável, ressaltou que os impactos climáticos já se manifestam concretamente em Várzea Grande, demandando uma coordenação integrada entre todos os setores da gestão administrativa. "Estamos aqui porque todas essas áreas sofrem impactos. As mudanças climáticas já são uma realidade em nosso município e a solução necessita ser integral, preventiva e articulada", declarou.
Como base inicial, foram disponibilizados mapas de risco que localizam territórios vulneráveis a transbordamentos e setores problemáticos da infraestrutura de drenagem. O diagnóstico preliminar constata que a expansão urbana acelerada intensificou a pavimentação dos solos, reduzindo a infiltração de água pluvial e gerando sobrecarga do sistema de drenagem, particularmente em comunidades situadas em cotas topográficas menores e adjacentes a corpos d'água.
Na estação seca, o fumo emanado de queimadas representa um obstáculo significativo, prejudicando a qualidade atmosférica e intensificando complicações respiratórias, principalmente em menores de idade, idosos e portadores de afecções pulmonares.
Conforme informado por Ricardo Amorim, Várzea Grande foi indicada entre as cidades prioritárias da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá para receber orientação especializada na concepção do projeto climático. Os critérios de seleção contemplaram a incidência de inundações, importância econômica e demográfica municipal, além da presença de remanescentes florestais viáveis para implantação de estratégias biológicas.
O município aderiu também ao programa nacional AdaptaCidades, ação colaborativa entre administrações federal e estadual voltada a aprimorar a governança climática municipal. Essa vinculação oferece suporte técnico para a confecção do plano e amplia as perspectivas de acesso a financiamentos para estruturas infraestruturais resilientes e iniciativas de adequação climática.
"Já nos inscrevemos no AdaptaCidades. Agora chegou o momento de agir", manifestou a prefeita Flávia Moretti. No contexto dessa agenda, a Administração Municipal deverá constituir uma unidade técnica encarregada de repassar periodicamente dados ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Depois de finalizado o diagnóstico, será formalizada a Comissão Municipal do AdaptaCidades, incumbida de monitorar o cumprimento das estratégias estabelecidas.
Durante o encontro, Flávia Moretti evidenciou que a participação de todas as áreas será fundamental para que Várzea Grande formule ações robustas e fortaleça sua capacidade de atrair investimentos. "Quando elaboramos projetos bem estruturados, o município multiplica suas possibilidades de obter recursos nas áreas de conservação ambiental, infraestrutura urbana, saúde coletiva, saneamento básico e educação pública. Todos os setores possuem responsabilidades cruciais neste empreendimento", reafirmou.
Para otimizar a execução do plano, a prefeita estabeleceu um prazo de 60 dias. A primeira ação será a expedição de decreto que instituirá o Grupo de Trabalho Intersetorial dedicado à Adaptação Climática, sob a coordenação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural Sustentável.
Nos próximos períodos, cada órgão sectorial realizará a compilação de informações referentes a tópicos como sistemas de drenagem urbana, padrões de ocupação territorial, estruturas de infraestrutura, políticas de saúde coletiva e zonas de exposição a riscos. Essas informações integrarão um levantamento consolidado que constituirá o fundamento para a hierarquização dos objetivos municipais.
A fase conclusiva contempla um workshop participativo para consolidar o diagnóstico e desenhar uma lista inicial de iniciativas preparadas para concorrer a financiamentos procedentes de fontes públicas e privadas.
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