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Bullying nas escolas atinge 30% dos adolescentes e acende alerta para a saúde mental

Bullying nas escolas atinge 30% dos adolescentes e acende alerta para a saúde mental

O mês de abril chega com uma pauta importante para tempos de tanto adoecimento emocional e mental que vem preocupando cada vez mais a sociedade contemporânea. Na próxima terça-feira 7 de abril, será lembrado o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, data instituída oficialmente pelo Congresso Nacional em 2016.

A Lei de nº13.277/2016 foi sancionada em 7 de abril, dia do Massacre de Realengo, ocorrido na Escola Municipal Tasso da Silveira (RJ), considerado um dos mais letais da história do Brasil, em 2011, quando um homem de 23 anos matou 12 crianças e deixou outras 10 feridas.

Desde então, muitos casos de violência em escolas brasileiras, tanto públicas quanto privadas, ganharam destaque nos noticiários e acenderam o alerta de educadores, pais, autoridades e profissionais especializados em saúde mental e emocional no ambiente escolar. E um dos mais comuns tipos de violência dentro das escolas é o bullying.

O bullying não é uma prática nova, mas o termo se popularizou no Brasil a partir da segunda década dos anos 2000, quando o país adotou uma legislação de combate à intimidação – em 2015 – com a implantação de programas que preveem capacitação das equipes pedagógicas, campanhas educativas, assistência jurídica e psicológica para vítimas e agressores (legislação de combate à intimidação sistemática).

De acordo com a psicóloga educacional Cecília Ferraz, o bullying é um comportamento recorrente que visa constranger, humilhar, ferir e violentar o outro. Ela explica que o contexto em que esse tipo de situação violenta acontece nas escolas é dos mais diversos, tanto em sua origem quanto em sua finalidade.

“A naturalização dos comportamentos violentos e até a sua superexposição nos ambientes virtuais, como aplicativos de conversa e redes sociais, fomentam essas práticas”, destaca, e as consequências das situações de violência, como ofensas e humilhações podem ser físicas e psicológicas, afetando diretamente o desenvolvimento socioemocional de crianças, adolescentes e jovens.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), realizada entre 2019 e 2024 pelo IBGE em parceria com o Ministério da Saúde, que monitora fatores de risco e proteção à saúde de adolescentes (13 a 17 anos), o cenário é preocupante, com meninas relatando maior índice de tristeza e insatisfação em relação aos meninos. O estudo mostra que em 2024 foi relatado um alto índice de bullying no ambiente escolar (30%), sendo as meninas novamente a maioria das vítimas (30,1%), enquanto os meninos relatam ter sofrido um pouco menos com essa prática (24,3%).

Quanto à prática de bullying,16,5% dos meninos se declaram responsáveis, enquanto as meninas são 10,9%. Segundo o estudo, o bullying é um problema presente no ambiente escolar no país, e a diferença entre as unidades públicas e privadas é mínima, como se vê nos percentuais: na rede pública, 27,2% dos alunos dizem que sofrem com a prática; na rede privada este percentual é de 27,5%. Já nas escolas públicas, 13,6% dos estudantes relatam praticarem bullying, enquanto nas privadas são 14%.

COMBATE: A psicóloga educacional Cecília Ferraz explica que as escolas precisam não apenas pensar em formas de evitar o bullying, mas também têm que se preparar para lidar com ele. “Embora não exista uma fórmula pronta para tornar as medidas de combate efetivas, é necessário ter em mente que elas precisam existir”! Ela diz que, para isso, é essencial que cada instituição educacional faça uma avaliação da sua própria realidade, buscando identificar quais são os fatores que desencadeiam comportamentos agressivos e com qual frequência eles ocorrem. “Apenas dessa forma será possível planejar estratégias de intervenção que atendam às necessidades reais desse ambiente”, orienta.

Ferraz adverte que é indispensável – e comum – a todas as escolas incluir ações de combate ao bullying no planejamento político e pedagógico da instituição, sensibilizando toda a comunidade escolar sobre o tema, mas também preparando a equipe para intervir com o intuito de desnaturalizar práticas agressivas e inadequadas de convivência, que nem sempre são percebidas. “Para que isso se torne possível, esse olhar precisa estar atento para os espaços de convivência entre os alunos”.

Especialistas indicam que a prevenção do bullying também passa por estimular as habilidades sociais dentro da escola, proporcionando atividades e dinâmicas que estimulem uma convivência respeitosa e saudável. A psicóloga lembra que o bullying se tornou um problema sistêmico na sociedade, com números que preocupam e alertam para a necessidade de envolver não só a escola, mas também as famílias nas políticas de combate à prática, proporcionando, por exemplo, rodas de conversa e de conscientização também com os pais.

 

 

 

 

 

Da assessoria

leiajqa.com

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