@crsf

O silêncio ensurdecedor das mulheres do MP

O silêncio ensurdecedor das mulheres do MP

O procurador-geral de Justiça e presidente do Conselho Superior do Ministério Público, Rodrigo Fonseca, divulgou a lista de inscritos para o cargo de desembargador e marcou para a próxima segunda-feira (24), às 9h, a sessão de elaboração da lista sêxtupla a ser encaminhada ao Tribunal de Justiça.

Com apenas quatro nomes inscritos — todos homens —, o Conselho limitar-se-á a ratificá-los. O Tribunal de Justiça, então, reduzirá a lista a três candidatos, que seguirão para as mãos do governador Mauro Mendes (União), responsável pela escolha final. Entre os inscritos, destacam-se o ex-procurador-geral Deodeste Cruz Júnior, cotado como favorito, o procurador Marcelo Caetano Vacchiano, e os promotores Marcelo Lucindo Araújo e Milton Pereira Merquiades.

Mas é no vazio que a história ecoa.
Desde a criação do quinto constitucional do Ministério Público, nenhuma mulher atravessou os portões dessa tradição masculina. Em 2024, rompendo séculos de silêncio, promotoras e procuradoras teceram uma tempestade de inscrições no último dia do prazo. Um movimento corajoso, um sopro de esperança que abalou estruturas enrijecidas. A resposta? O desconforto de quem viu tronos tremerem, a incompreensão de quem leu ambição onde havia apenas direito.

Em 2025, porém, o vento mudou. Diante de muros erguidos com palavras não ditas e portas fechadas antes mesmo da chegada, as mulheres escolheram um silêncio que grita. Nenhuma inscrição. Nenhum nome. A ausência, agora, é um manifesto. "Às vezes, o silêncio é tão alto que chega a ser ensurdecedor", dizem vozes que conhecem o peso das batalhas invisíveis.

O que parece desistência é, na verdade, resistência.
A falta de candidaturas femininas neste ano reacendeu questionamentos sobre barreiras que não estão nos editais, mas nos corredores, não nas leis, mas nos olhares. Críticas apontam para uma possível retaliação velada após a ousadia de 2024 — como se a audácia de ocupar espaços merecesse castigo.

Enquanto isso, as mulheres do Ministério Público, tecelãs de mudança em meio a teias patriarcais, seguem articulando-se. Sua luta não é por uma vaga, mas por um símbolo. A sociedade, aliada, observa e cobra. Afinal, justiça que não inclui todas as vozes é apenas um eco incompleto.

Faça um comentário // Expresse sua opinião...

Veja os últimos Comentários

Olívia Ribeiro

Diz tanto em tão poucas palavras.

Veja também

Gisela Simona intensifica articulação política no Nortão com apoio de lideranças em Colíder e Nova Canaã

Gisela Simona intensifica articulação política no...

A visita de Gisela Simona a Colíder, no sábado (19), transcendeu os compromissos convencionais de campanha no Nortão. O deslocamento representou um...

Suplente de Medeiros reafirma apoio à reeleição de Otaviano Pivetta em Sorriso

Suplente de Medeiros reafirma apoio à reeleição de...

O segundo suplente do senador José Medeiros, Xuxu Dal Molin (PL), manifestou publicamente seu respaldo à candidatura à reeleição do governador Otav...

Partido AGIR pede afastamento de prefeito e cancelamento de candidatura da esposa em Rondonópolis

Partido AGIR pede afastamento de prefeito e cancel...

O diretório estadual do AGIR formalizou perante o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) requerimento solicitando o afastamento preven...