Deputado estadual atribui saída do senador à "truculência" do ministro do STF após perda eleitoral
O deputado estadual Júlio Campos (União) questionou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que resultou na viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, caracterizando a ação judicial como excessiva.
Flávio partiu do Brasil apenas dois dias após a derrota na disputa presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O deslocamento aconteceu após Moraes ordenar a apreensão dos passaportes e estabelecer proibição de saída do país, atendendo solicitação da Polícia Federal (PF), que argumentava sobre possibilidade de evasão.
Conforme o parlamentar, a ação judicial evidenciou rigidez institucional e influenciou a decisão de Flávio em se deslocar para o exterior. "Foi uma operação porque foi fruto da brutalidade com que o ministro Alexandre de Moraes tomou [a decisão]. Sete minutos após o encerramento das urnas, a declaração de que o vitorioso foi Lula, o nosso ministro, naquela truculência de sempre, já pediu o passaporte, proibiu ele de sair do Brasil. Então, praticamente, estava quase declarando que ia prendê-lo", manifestou Campos.
O deputado prosseguiu argumentando que Flávio considera-se isento de responsabilidade e deliberadamente optou por reagir à situação imposta. "Então, ele [Flávio] acha que não tem culpa e realmente resolveu reagir", acrescentou.
O senador encontra-se sob investigação em duas ações no STF. Uma delas examina potencial lavagem de recursos associada ao advogado Willer Tomaz e possíveis conexões com a plataforma de apostas BestBet. A segunda apuração investiga suspeitas envolvendo corrupção, movimentação ilícita de valores e transferência irregular de divisas vinculadas ao financiamento do longa-metragem Dark Horse, documentário sobre Jair Bolsonaro. Contudo, Flávio ainda não foi formalmente denunciado nesses processos.
A transferência do senador gerou relevância política e internacional, particularmente após Donald Trump, presidente estadunidense, expressar solidariedade a Flávio e comunicar intenção de fornecer vistos para ele e seus dependentes.
O ocorrido intensificou conflitos entre apoiadores do senador e a corte suprema, além de suscitar indagações acerca da observância da determinação que vedava seu deslocamento internacional.
Para Júlio, a decisão de Moraes apresentou desproporcionalidade, ainda que tenha sido motivada por requerimento da PF. O parlamentar reconheceu que Flávio integra investigação em desenvolvimento, mas enfatizou que sua condição permanecia como investigado, não réu. "Não, réu não. Apenas um inquérito em andamento com relação a outros assuntos [...]. Mas eu acredito que, infelizmente, o Brasil está nessa situação. Muita truculência por parte do judiciário brasileiro", pontuou.
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