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Justiça aprova candidatura de Flaviane Ramalho mas rejeita nome de urna com referência a Bolsonaro

Tribunal Eleitoral de Mato Grosso deferiu registro, mas determinou uso de nome civil em vez de identificação política

Justiça aprova candidatura de Flaviane Ramalho mas rejeita nome de urna com referência a Bolsonaro

A candidata a deputada estadual por Mato Grosso Flaviane Ramalho teve sua candidatura oficialmente aprovada pela Justiça Eleitoral para as eleições de 2026. Pelo Partido NOVO, com o número 30.022, ela disputará o cargo, porém com uma restrição importante: o tribunal rejeitou o nome de urna que havia proposto, determinando que concorra sob a denominação "Dr.ª Flaviane Ramalho".

A principal questão em debate foi a utilização de "Flaviane do Bolsonaro" como identificação eleitoral. O relator do caso reconheceu que a candidata está regularizada junto à Justiça Eleitoral, não possui condenações criminais e atende todos os requisitos de elegibilidade, não havendo impedimento formal para sua participação nas eleições.

Durante o processo, a defesa de Flaviane argumentou que a denominação proposta nunca buscou sugerir parentesco com Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro ou qualquer membro da família. Conforme manifestação ao TRE-MT, a expressão representaria uma "identificação política, ideológica e pública" e não um vínculo sanguíneo.

A equipe jurídica da candidata enfatizou que a preposição "do" foi escolhida justamente para diferenciar sobrenome de identificação política. O argumento central era que "Flaviane do Bolsonaro" referia-se ao bolsonarismo e ao projeto político com o qual ela se identifica, não à família Bolsonaro propriamente dita.

Em sua argumentação, a defesa apresentou publicações, entrevistas, matérias de imprensa e conteúdos em redes sociais para demonstrar o uso anterior dessa identificação. Além disso, interpretou que "do Bolsonaro" significa "vinculada ao projeto político Bolsonaro" e não "pertencente à família Bolsonaro".

O Ministério Público Eleitoral posicionou-se contrário à aprovação do nome proposto, solicitando ao tribunal que rejeitasse "Flaviane do Bolsonaro" e determinasse a adoção de "Dr.ª Flaviane Ramalho".

O magistrado relator, embora tenha deferido a candidatura, não acolheu o nome de urna sugerido. O juiz considerou que a questão não configurava falta de condições de elegibilidade ou causa de inelegibilidade, ressaltando que os demais requisitos estavam plenamente satisfeitos. Quanto à denominação, porém, sua decisão foi contrária às pretensões da candidata.

Na sentença, o relator argumentou que "Bolsonaro" não faz parte do nome civil de Flaviane, não existe vínculo familiar comprovado e as evidências apresentadas não seriam suficientes para estabelecer que "Flaviane do Bolsonaro" constituía uma identidade pública consolidada previamente.

O tribunal também considerou relevante o fato de a candidata ter participado de eleições anteriores sob o nome "Dra. Flaviane Ramalho". Com base nessa constatação, o magistrado concluiu ser "inviável a homologação do nome de urna 'FLAVIANE DO BOLSONARO'".

A decisão final da Justiça Eleitoral rejeitou especificamente o uso de "Flaviane do Bolsonaro", determinou o registro de "Dr.ª Flaviane Ramalho" e deferiu integralmente a candidatura ao cargo de deputada estadual pelo NOVO, mantendo o número 30.022.

Flaviane Ramalho optou por não recorrer da decisão judicial. Segundo a candidata, prosseguir com a disputa sobre o nome de urna consumiria tempo, energia e recursos que prefere dedicar à campanha nas ruas e à apresentação de suas propostas políticas.

"Eu poderia recorrer e continuar essa discussão. Mas não vou perder a campanha discutindo meu nome. Todo mundo sabe que sou bolsonarista. Nunca escondi isso e nunca disse que era parente do Bolsonaro. Meu nome na urna muda. Meus princípios não mudam.", afirmou a candidata.

Flaviane também comparou seu caso ao de outros candidatos que utilizam identificações populares em suas campanhas eleitorais. "Nós vemos candidatos conhecidos como 'fulano do cachorro-quente', 'fulano da escola', 'fulano do salão', 'fulano da oficina'. Quando se trata de uma identificação ideológica ligada a Bolsonaro, a interpretação é outra. Respeito a decisão, mas o eleitor pode tirar suas próprias conclusões", comentou.

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