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BR-163 duplicada e alcooduto: os projetos que vão transformar a logística do agronegócio mato-grossense

Ex-senador apresenta planos ambiciosos de infraestrutura para elevar competitividade do setor agrícola em Mato Grosso

BR-163 duplicada e alcooduto: os projetos que vão transformar a logística do agronegócio mato-grossense

Durante o Global Agribusiness Festival em Sorriso, foram apresentados os principais projetos de infraestrutura capazes de potencializar o agronegócio mato-grossense. A duplicação completa da BR-163, a expansão de conectividade 4G ao longo da rodovia e a construção de um alcooduto rumo ao Sudeste emergem como soluções estratégicas para os próximos anos.

O presidente afastado do Conselho de Administração da Nova Rota do Oeste detalhes um processo de reestruturação financeira que desbloqueou investimentos paralisados há anos. A concessão, iniciada em 2014, enfrentou severas dificuldades financeiras após a Operação Lava Jato, quando a Odebrecht perdeu acesso ao financiamento do BNDES. A dívida acumulada superava R$ 1 bilhão, comprometendo até mesmo a manutenção adequada da via.

A entrada do Governo de Mato Grosso na gestão através da MT Par permitiu renegociar passivos bancários e assegurar um novo aporte de R$ 5,3 bilhões junto ao BNDES. Com essa injeção de recursos, o principal obstáculo migrou da questão financeira para os processos de licenciamento ambiental e administrativo.

Até o final de 2024, estão previstos 444 quilômetros de duplicação. Os trechos entre Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, Lucas do Rio Verde e Sorriso, além do segmento Sorriso-Sinop devem ser entregues. Esse avanço permitirá tráfego em pista dupla entre Sinop e Rosário Oeste, enquanto a restauração da pista antiga prosseguirá após o período chuvoso.

Os dados de segurança viária são expressivos: as seções já duplicadas registram redução de 83% nas mortes por acidentes. A rodovia atravessa 19 municípios e impacta diretamente cerca de 90% da população estadual, reforçando a importância desses investimentos para salvar vidas.

A modernização digital também faz parte do plano. Até o final de 2026, toda a extensão da concessão terá cobertura 4G, permitindo que motoristas e transportadores mantenham conectividade durante todo o trajeto entre a divisa com Mato Grosso do Sul e Sinop.

O alcooduto conectando Sinop a Paulínia, no interior de São Paulo, representa outra transformação estratégica. O projeto aproveita a faixa de domínio da BR-163 e outros corredores logísticos, acompanhando a expansão acelerada da produção de etanol de milho no Estado. A infraestrutura reduzirá significativamente os custos de escoamento até o principal mercado consumidor nacional, tornando a produção mais competitiva.

Os investidores já demonstram disposição para executar o alcooduto, e a possível inclusão no PAC federal pode acelerar os trâmites necessários para viabilizar a obra.

Demanda crescente por logística eficiente

O presidente da Aprosoja Mato Grosso apresentou projeções alarmantes sobre a necessidade de melhorias logísticas. Desde 2010, o Estado quadruplicou a produção de grãos e projeções indicam acréscimo de 36 milhões de toneladas até 2034. Mato Grosso responde atualmente por 29% da soja nacional, 48% do milho safrinha e figuraria como terceiro maior produtor mundial se fosse um país independente.

Apesar desse crescimento impressionante em produtividade, a infraestrutura de transportes não acompanha no mesmo ritmo. Mais de 70% da safra ainda depende exclusivamente de rodovias, enquanto os custos de frete continuam entre os maiores entraves competitivos. Projetos como a Ferrogrão, conclusão das duplicações da BR-163, ampliação das hidrovias e outras iniciativas logísticas são essenciais para reduzir custos operacionais.

A pavimentação da BR-163 já se mostrou determinante para o desenvolvimento estadual. Após sua conclusão, houve expansão robusta das áreas cultivadas com soja e milho, além de crescimento expressivo do PIB em cidades como Sorriso e Lucas do Rio Verde, demonstrando a correlação direta entre qualidade de infraestrutura e prosperidade econômica regional.

O debate também abordou alternativas complementares, incluindo o projeto da Ferrogrão, apresentado pelo presidente e CEO da Estação da Luz Participações, e as possibilidades de ampliação do transporte hidroviário, discutidas pelo CEO da Hidrovias do Brasil.

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