Lideranças indígenas elogiam criação da Câmara Setorial de Saúde, primeira no Brasil, e defendem continuidade do diálogo na ALMT.
Representantes de quatro etnias originárias de Mato Grosso reuniram-se na Assembleia Legislativa do Estado para reconhecer o trabalho desenvolvido pelo presidente da casa, deputado Max Russi (Podemos), na ampliação da participação indígena na formulação de políticas públicas estaduais. O encontro aconteceu terça-feira na sala do Colégio de Líderes.
As delegações dos povos Boe Bororo, Balatiponé, Haliti-Paresi e Nambikwara valorizaram especialmente a instituição da Câmara Setorial Temática (CST) de Saúde Indígena, um precedente inédito em todo o país. A iniciativa, criada em 2025 e encerrada em julho após um ano de atividades conforme cronograma estabelecido, pavimentou o caminho para uma estrutura de diálogo permanente.
Para dar sequência aos avanços alcançados, Max Russi propôs a criação de uma nova CST Indígena com escopo ampliado. Esse novo colegiado abarcará discussões sobre autonomia comunitária, geração de renda, empreendedorismo e etnoturismo, transcendendo a esfera da saúde. A reunião contou com a participação de Paloma Velozo, presidente da CST Indígena, e Taís Costa, diretora do Núcleo de Gestão Institucional e Assuntos Internacionais da ALMT.
Marcelo Manobaro, liderança da Aldeia Galdino Pimentel pertencente ao povo Boe Bororo, ressaltou a singularidade dessa aproximação institucional. De acordo com ele, muitos integrantes de sua etnia visitavam pela primeira vez as dependências do Parlamento estadual. Manobaro enfatizou que o acesso das lideranças ao Legislativo se multiplicou em decorrência da CST, possibilitando que os caciques de diversas regiões apresentassem suas necessidades e demandas específicas.
Gilmira Manoreru, coordenadora da Associação das Mulheres Boe Bororo, expressou sua satisfação com o comprometimento demonstrado pelo parlamentar em conhecer e implementar soluções para a realidade indígena local. Ronildo, cacique-geral também do povo Boe Bororo, apresentou um conjunto de demandas comunitárias e solicitou a manutenção dos mecanismos de participação indígena dentro do Poder Legislativo.
Marcio Monzilar, administrador da instituição educacional do povo Balatiponé, evidenciou a relevância da CST para expandir iniciativas em agricultura indígena e criar oportunidades econômicas. José Nambiquara Txyalikisu, representante dos povos Nambikwara e relator da CST Indígena, reforçou que, ao longo de toda a existência da Assembleia, os povos originários nunca haviam tido um ponto de referência institucional adequado.
Adylson Muzuywane, intérprete e promotor do etnoturismo entre os povos Haliti-Paresi, apresentou perspectivas sobre como essa atividade pode fortalecer a autonomia financeira das aldeias. Segundo ele, o etnoturismo vai além de oportunidades de renda, funcionando como instrumento de proteção ambiental e cultural. Muzuywane ressaltou que tanto as comunidades indígenas quanto os municípios e o estado se beneficiam dessa abordagem, sugerindo que a CST pode traduzir essas possibilidades em políticas públicas estruturadas.
Max Russi expressou gratidão pela confiança depositada pelas lideranças e reiterou o compromisso da Assembleia em intensificar a participação dos povos indígenas nas deliberações sobre políticas públicas estaduais. Ele argumentou que questões estratégicas para Mato Grosso passam necessariamente pelo Parlamento e que essa integração deve ser ampliada significativamente.
Paloma Velozo, coordenadora da CST, atestou que o trabalho realizado durante os doze meses anteriores consolidou as relações entre a instituição legislativa e as comunidades indígenas estaduais. A recém-criada CST Indígena prosseguirá nesse caminho com uma atuação de maior abrangência, priorizando o fortalecimento da voz dos povos originários, o desenvolvimento comunitário autônomo e a abertura de caminhos para a independência econômica indígena.
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